domingo, 23 de junho de 2013

Frustração

Frustrante, efetivamente frustrante, é ouvir de investigadores prestigiados o suficiente para serem chamados pela sua especialidade, dizerem-se vegetarianos, salvaguardando que podem comer peixe.
 
Mas quando é que as pessoas aprenderão que:
 
Se alguém se diz vegetariano apenas, devemos concluir que a sua dieta alimentar é composta apenas de vegetais.
 
No caso dos ovo-lacto vegetarianos, temos pessoas cuja dieta inclui ovos e leite, sendo vegetal no restante. (Podem ser só ovo-vegetarianos ou lacto-vegetarianos.)
 
Os vegans possuem uma dieta alimentar exclusivamente vegetariana, não consumindo, ou não consumindo dentro das suas máximas possibilidades, produtos animais de nenhuma espécie para além da alimentação (roupas, sapatos, decoração, etc.), e vetando também qualquer atividade que envolva a exploração animal.
 
Agora, em caso algum um vegetariano, ou ovo-lacto vegetariano, ou ovo-vegetariano, ou lacto-vegetariano... come peixes! Peixes também são animais minha gente, têm a sua própria carne. Lembrem-se da Phillipa, abaixo. Os peixes sofrem quando mortos, e não é pouco.
 
Ai!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A história de Phillipa

Hoje vem bem a propósito repescarmos (!) o maravilhoso site da Evolve! Campaigns. O horror da pesca e as suas tristíssimas consequências descritas por Phillipa, the fish.

Aqui.

Qual carapuça

Quais santos populares, quais sardinhas, qual carapuça pá!

As sardinhas nasceram para nadar, nadar sofregamente, nadar veloz e lentamente, nadar à sua boníssima vontade. Não foi certamente para ser asfixiadas até à morte, torradas e trincadas por quem ainda não deu o passo de sentir e pensar.

Lembrem-se:


o passo
 
 
                                          sentir  
 
pensar
 
 
Um passo. Para sairmos da penumbra do que nos tentam fazer passar por normal, do que nos tentam fazer passar por aceitável, do que nos tentam fazer passar por bom. Um passo para nunca mais voltarmos ao mesmo lugar, simplesmente porque nos tornámos conscientes e exigentes, e felizes num novo ponto de partida.
 
 
Pensem na canção inaugural deste blog, Borzeguim, hino vegan por mim declarado. "Deixa o peixe n'água que é uma festa"!
 
 
Deixem. Deixem.
 
Meditem:
 
o passo
 
 
                                          sentir  
 
pensar
 


domingo, 9 de junho de 2013

Ai, os vegans pensam que salvam o mundo

Não. Um vegan tenta salvar-se a si mesmo. À sua própria honradez, à sua ética, à sua moral. Sabe perfeitamente que o mundo é composto por uma infinitude de ações, reações e escolhas. E que evitar ao máximo causar sofrimento a seres que, como nós, são sencientes, é o mínimo que podemos fazer.
 
Não temos razão e sentimentos para enfeitar. O terreno desafiante da prática diz-nos como os aplicamos.

domingo, 2 de junho de 2013

Evolução

 
 
O site Evolve! Campaigns faz parte das publicações em destaque neste blog, e não é por acaso. O espírito, a qualidade e a diversidade de informação, atravessada por grandes corações, são os motivos de o considerar um marco importante na minha própria jornada que culminou no veganismo.
 
Basta dizer-vos que foi ao contatar a Evolve que fiquei a saber de alguns pontos/informações vegan do maior interesse em Lisboa! E estão sempre disponíveis a aconselhar e a ajudar-nos a procurar produtos e outras informações.
 
Uma das secções bestiais do site é a narração, na primeira pessoa, da violência perpetrada pela exploração animal. Assim, temos "depoimentos" de porcos, vacas, e outros. Hoje convidaria a que lessem a história da galinha Hetty.
 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Um ativista encantador

Esta hora e dez minutos vai voar. Não deixem de ver, e de partilhar.
 "The problem is that humans have victimized animals to such a degree that they are not even considered victims. They are not even considered at all. They are nothing. They don't count; they don't matter; they're commodities like TV sets and cell phones.

We have actually turned animals into inanimate objects - sandwiches and shoes."
 
"O problema é que os humanos vitimizaram os animais num tal grau que estes nem sequer são considerados vítimas. Não são considerados de forma alguma. São nada. Não contam; não importam; são comodidades como televisões e telemóveis.
Na verdade tornámos os animais em objetos inanimados - sandwiches e sapatos".
Gary Yourofsky
Gary Yourofsky é um denodado ativista vegan, e protagonista de um discurso que deveria ser visto por cada um dos habitantes deste pobre mundo. Pobre, mas tão cheio de soluções. E dos recursos sentimentais que quisermos. Questão de abrir a flor da clarividência e da piedade e do que, talvez, se chame bondade. A "extra-brilhante bondade da alma" de Ginsberg?
A frase que cito acima retirei-a do mural do Facebook da interessantíssima The Ethical Legion.
 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A consciência animal

Se pensarmos bem (e, ops, formos conscientes), não é bem bem uma novidade. Mas no ano passado, em Cambridge, uma notícia cientificamente fundamentada explodiu no mundo sancionada com um solene manifesto oficial por parte da comunidade científica: claro que os animais têm consciência, e como!

Deixo uma entrevista interessantíssima com o neurologista Philip Low, através do muito interessante blog Vegetarianismo e Ética.

Não estamos sozinhos na senciência, não estamos sozinhos na consciência.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Essa mesma coisa

Ser pela justiça. Defender os direitos de todas as minorias, desde que não esmaguem direitos alheios. Não pretender, sob pretexto algum, tomar para si o que não é seu. Ser contrário à covardia e ao abandono.
 
Desprezar as lavagens de mãos "à la Pilatos" que nos conspurcam os dias.
 
Isso e não comer animais. Não pagar para que os aniquilem e explorem e roubem descanso, dignidade e paz. Isso tudo acima, e isto aqui de baixo. É tudo a mesma coisa.
 
Leitor, aproxime-se: é tudo a mesma coisa. Perceba o quê e depois vire a cara, feche os olhos, tape os ouvidos, se conseguir ou ainda quiser.

domingo, 19 de maio de 2013

Ideal - Real

Há uns dias, por causa de uma observação que ouvi, fiquei nesta ponderação de mim para mim: o veganismo é um ideal?
 
Bom, sem dúvida, não deixa de sê-lo. Mas diria que é muito mais do que isso. Para mim, ser vegan é escolher um caminho porque qualquer alternativa não é alternativa, mas uma escolha errada, motivadora de sofrimento, desequilíbrio, injustiça. Ser vegan é pretender assumir a responsabilidade de ser racional, de conter ideais, sim, mas também de saber ouvir o grito de urgência, a inesquecível sirene da nossa consciência e dos nossos melhores sentimentos.
 
É uma urgência e uma clara, inequívoca e muito real aplicação não apenas do que se acredita, mas do que se sabe ser bom. Não se trata, portanto, apenas de ideia. Ultrapassa-se a ideia com a vivência da única opção correta a tomar.

sábado, 18 de maio de 2013

Os vegans não comem erva pá!

 
Maravilhosos bolinhos vegan de um café em Copenhaga, Simple Raw
(Foto de moi même)
 
Regressada de mais uma ausência laboral, venho aqui com fortes argumentos para mudar o mundo da gastronomia mundial. Ou, pelo menos, da gastronomia mundial... vegan.
 
Começo a atingir a fase da impaciência pública - e sei que não devo - e da ironia insolente - e sei que não devo -, perante jantares como beterraba (que amo) à entrada e à saída. Cenouras cruas e fatias de beterraba luzidia, ainda que brilhantemente temperadas - justiça se faça! - não são refeição para ninguém, e ninguém inclui vegans. A minha latina vontade é pedir para falar com os cozinheiros perguntar qualquer coisa como "Olha lá pá, achas que por eu não rachar os cascos da bovinada para lhes devorar as carnes tenho como única alternativa o teu crudivorismo mal orientado?! Cenouras e beterrabas pá? Não vos ocorre nada simples, proteico, nutritivo, como adicionar cogumelos (mesmo de lata), soja, seitan, tofu, grão-bico, feijão, sequer um destes elementos? Apre! Many thanks!" Mas claro que a pessoa não faz (ainda) nada disto, e lá fica semi-esfaimada graças à ignorância e incúria alheias.
 
O máximo do meu desabafar foi quando uma colega, responsável pelas lides da hospitalidade, me diz para ver se os (mínimos) pratinhos do meu tabuleiro seriam vegan, já que tinham escrito "vegetariano". Que eles (cozinheiros/empregados) é que tinham de saber, respondi, já um pouco enviezada.
 
Depois é a TAP que entende que vegetarianos e vegans é tudo a mesma tribo e pumba, uma bolona enorme de queijo no meu tabuleiro. Lá fiquei no pão e nas batatas fritas (batatas fritas que tinha levado).
 
Mundo, escutai: os vegans não comem erva! Pá. Têm uma diversidade arrebatadora de verduras, leguminosas, grãos diversos, frutos, bebidas, com possibilidades de confeção igualmente elásticas. E, imaginem... ta na na na... deliciosas! Esqueçam a lei do menor esforço. Be smart. Be kind. E, de preferência... percebam o enorme erro que estão a fazer ao não mudar a vossa escolha alimentar que mais não é do que uma escolha ética.

Bom apetite aos que no prato não têm cadáveres.